sábado, junho 19, 2010

compreender

"A tarefa mais séria, mais autêntica do ser humano, é compreender. Não digo compreender-se a si próprio, isso não se pode, mas tentar compreender a história e a sociedade em que vivemos. E desconfio que não nos preocupamos muito com isso."o

sexta-feira, junho 18, 2010

o ano da morte de josé saramago

quinta-feira, junho 17, 2010

no tempo de todas as crises

Universidade de Verão promovida pela Associação Manifesto (Centro de Estudos Sociais e Políticos).
Em Abrantes (Pousada da Juventude) de 18 a 20 de Junho de 2010 (participação livre). Intervenções de Francisco Louçã; Eugénia Pires ("De Wall Street a Atenas"); Casimiro Ferreira ("Pleno Emprego. Mas como?") e José Maria Castro Caldas ("Ou serviços públicos, ou a selva").

quarta-feira, junho 16, 2010

songs for the season

segunda-feira, junho 14, 2010

os guardadores de segredos

No Ministério da Defesa desapareceram misteriosamente documentos tidos pelo DCIAP como importantes, relativos ao financiamento da aquisição dos dois submarinos alemães, "entre eles a carta que o consórcio bancário BES/Crédit Suisse First Boston terá enviado ao então ministro da Defesa, Paulo Portas, em 2004, a pedir para alterar a margem de lucro (...) já depois de ter ganho o concurso". A notícia do Público não esclarece se estes documentos terão levado sumiço depois de 2005 ou ainda no tempo de Paulo Portas. Se foi nessa altura, será que o então Ministro de Estado e da Defesa os levou por engano, entre as cerca de 60 mil cópias que tirou de documentos do ministério (alguns dos quais classificados como segredo de Estado) em vésperas de deixar o cargo?
Seja como for, é impossível não lembrar a insidiosa intervenção de Nuno Melo na Assembleia da República, em Março de 2008, em que lança - sem qualquer fundamento material - uma suspeição alarve sobre a capacidade e fidedignidade dos deputados do PCP e do BE para lidar, na Comissão de Fiscalização dos Serviços de Informação, com documentos classificados como segredos de Estado.

domingo, junho 13, 2010

o santo e a ordem de cristo

A mais alta condecoração atribuída por Cavaco Silva neste 10 de Junho coube a João Salgueiro, o ex-presidente da Associação Portuguesa de Bancos que sabe bem o que a banca deve fazer para não pagar impostos. Ao mesmo tempo que o presidente Aníbal apelava, no seu discurso, à repartição "equitativa e justa dos sacrifícios". Como bem aponta João Rodrigues, "Cavaco sabe que faz política num país amnésico", lembrando o estudo de Carlos Farinha Rodrigues sobre a distribuição do rendimento, a desigualdade e a pobreza nos anos noventa e alguns dos traços mais marcantes da economia política e moral do cavaquismo.
No passado dia 10, Cavaco nem precisou de justificar a atribuição da comenda a João Salgueiro com "a tradição de condecorar", como fez com Santana Lopes. Neste caso, não há questões de incoerência. Apenas lata, muita lata de facto.

sexta-feira, junho 11, 2010

globalismo localizado

Não, ouvido na orla do concelho de Lisboa, o som de uma vuvuzela não lembra um elefante. Mas apenas o simples zurrar de um burro.

quarta-feira, junho 09, 2010

dead combo

Numa atmosfera David Lynch, com as músicas a lembrar por vezes Nick Cave ou a instrumentação em Lhasa. Até, em certos momentos, Durutti Column. Uma bela descoberta, no passado dia 4 no São Jorge, que fico a dever a um amigo.

terça-feira, junho 08, 2010

vontade

"É fácil disparar sobre a ministra da Educação pela mais recente experiência do nosso ensino público: o salto automático para o 10.º ano dos alunos com mais de 15 anos repetentes do 8.º ano, desde que aprovados nos exames finais. (...) Para fugir às críticas, Isabel Alçada argumentou que a medida é apenas um «incentivo» para que estudantes relapsos reentrem no sistema, tornem a acreditar neles próprios e completem então o ensino básico. A ministra acabou por sintetizar a sua fé de maneira quase dramática: «Eu acredito que a vontade move o mundo". (...) A vontade de quem? A vontade dos estudantes, claro. A vontade dos tais estudantes que foram sistematicamente chumbando de ano, que não cumpriram as regras de avaliação, que não foram submetidos a qualquer ensino ou aprendizagem formal (aqui, do 9.º ano) mas que agora, por «incentivo» do ministério, podem finalmente passar de ano através de um regime de exame. Diz-lhes o sistema: é verdade que vocês tiveram várias oportunidades; não se saíram bem; não se aplicaram nem aprenderam. Mas não se preocupem, porque nós podemos aligeirar as nossas regras incentivando-vos para que acreditem na vossa «vontade»".

(Pedro Lomba no Público de hoje. Mais um grave sinal, dado pelo Ministério da Educação, sobre a "utilidade relativa" da escola. À política de encerramento estatístico de estabelecimentos, parece aliar-se o início de uma política de ensino público por correspondência).

quinta-feira, junho 03, 2010

"he was attacking me with a banana"

"Self-defence against fruit" (Monthy Phyton, 1969)
Afinal Mucznik está de saúde. Se tivesse esperado mais umas horas, não teria assinalado o seu aparente desaparecimento, nem sugerido que a "investigadora de assuntos judaicos" estaria apenas a assobiar para o ar, perante os recentes acontecimentos.
Esther Mucznick faz hoje no Público a sua análise. Um lamento muito ao de leve pelos mortos, informando-nos que o Hamas, "é bom não esquecer, (...) controla Gaza" (certamente da mesma forma que o Likud controla Israel, dado que ambos chegaram ao poder através de eleições). E especula sobre o transporte de "armas de diverso tipo", que não especifica (e que até hoje ninguém encontrou), e sobre "objectos um pouco mais agressivos", que a carga humanitária dissimularia (referindo-se provavelmente a sabres e outras armas de fogo semelhantes ou a dispositivos nucleares de idêntica estirpe).
Faz-se acompanhar, nesta edição do Público, pelo artigo de Helena Matos, que reduz o ataque israelita a uma "Fábrica de Imagens". Mas nem uma nem outra conseguem bater José Manuel Fernandes (JMF), que vai ao cerne da questão e reduz o acontecimento a uma única imagem. Especialmente para ele, aqui fica este vídeo, esperando-se que João Galamba inclua o ex-director do Público na investigação que sugeriu dever fazer-se.

quarta-feira, junho 02, 2010

where is esther mucznik?

Procura-se nos principais jornais (Público, onde até há bem pouco tempo era colunista regular; DN; "i"; Correio da Manhã; 24 Horas) e nada se encontra. Procura-se no Google e surgem apenas referências a textos antigos (o mais recente, de 15 de Maio, sobre a visita do Papa) e ligações avulsas a participações em colóquios.
Sobre o recente ataque do exército israelita a uma frota indefesa de barcos que transportava ajuda humanitária para Gaza, em águas internacionais, e que provocou dez mortos e mais de vinte feridos, não se lhe terá ouvido ainda uma única palavra. É um pouco estranho, pois Esther Mucznik (Vice-presidente da Comunidade Judaica Portuguesa e "investigadora de assuntos judaicos"), costuma ser muito lesta na justificação de todas as acções de Israel (usando o omnipotente e omnipresente argumento do seu direito à "legítima defesa"). Espera-se que esteja de saúde e apenas a assobiar para o ar, neste momento complicado para a causa. Mas agradece-se igualmente que, dissipada a incómoda "fumaça", não regresse daqui a uns tempos com os mantras do costume, como se nada se tivesse passado.